O SOPRO DO INCÊNDIO

Ela caminhava pelas ruas de Lisboa como quem desafia o próprio destino — passos firmes, olhar ereto, o perfume que deixava no ar não pedia atenção, exigia-a. Raissa era dessas mulheres que não esperam ser vistas; elas decidem ser lembradas. Naquela noite, o vento tinha um gosto estranho, como ferro e desejo. 

Foi no bar pequeno da esquina que o viu — o homem de olhar escuro demais, calmo demais, como se o mundo inteiro fosse um segredo que ele já soubesse. Quando se aproximou, não falou seu nome; apenas a saudou como quem diz “te esperava há séculos”. 

A conversa fluiu como fumaça. A tensão entre eles crescia em silêncio — o som do gelo derretendo nos copos, o toque de mãos que trocavam perguntas sem palavras. Em algum momento, ela entendeu que não havia escolha: ele não era humano o bastante para se resistir a ele… e talvez nem ela fosse. 

Sem uma palavra, ele a levou pela mão até seu apartamento. A porta mal se fechou quando seus lábios se encontraram — fome, urgência, uma sede que parecia milenar. Suas mãos exploraram seu corpo com uma precisão que a fez tremer. Os botões de sua blusa se abriram um por um, seus dedos traçando o contorno dos seios, os mamilos endurecendo sob seu toque. 

Raissa gemeu quando ele a ergueu em seus braços, carregando-a até o quarto como se não pesasse nada. A roupa desapareceu em gestos rápidos, desesperados. Quando ele finalmente a colocou na cama, sua nudez era uma oferenda sob o luar que entrava pela janela. 

Seus lábios percorreram seu corpo — pescoço, clavículas, seios. Cada beijo era uma promessa, cada mordida um juramento. Suas mãos se espalharam por suas coxas, abrindo-a com uma possessão que a fez arquear as costas. Quando sua língua finalmente encontrou seu clitóris, Raissa gritou — um som que misturava dor e prazer, agonia e êxtase. 

Ele a levou ao limite repetidamente, seu rosto enterrado entre suas pernas, sugando, mordendo, devorando-a como se quisesse consumi-la por inteiro. Raissa se contorcia sob ele, as mãos agarradas aos lençóis, os quadris se movendo em ritmo frenético contra sua boca. 

Quando finalmente subiu sobre ela, seu membro ereto pressionando contra sua entrada molhada, ela olhou em seus olhos e viu o fogo do inferno. A penetração foi profunda, dolorosa, perfeita. Cada movimento era uma reivindicação, cada golpe uma possessão. Raissa sentia-o alcançar o fundo de seu ser, preenchendo-a completamente. 

Seus corpos suaram, se uniram, se tornaram um só no ritmo crescente do prazer. As mãos dele se apertaram em seus quadris, puxando-a contra si com força bruta. Raissa sentiu o orgasmo se aproximando como uma onda, começando nos pés e subindo pela espinha até explodir em sua cabeça. 

Ela gritou seu nome sem saber qual era, seu corpo se contorcendo sob o dele enquanto as contrações a tomavam. Ele continuou se movendo dentro dela, estendendo seu prazer até que ele também atingisse o clímax, seu corpo rígido, um gemido baixo escapando de seus lábios enquanto a enchia com seu calor. 

A noite foi um espasmo de sensações proibidas. Nada foi claramente visto, mas tudo foi sentido — o calor de uma pele que parecia queimar, o arrepio que percorria os ossos, o gosto da eternidade na fronte. Quando o sol começou a se insinuar pelas frestas do quarto, ele já havia desaparecido, sem vestígio, sem explicação. 

Nos dias seguintes, Raissa tentou conter a febre — procurou outros corpos, outros lábios, outros sussurros. Mas nada se comparava àquela ausência. O toque dos outros era morno. A voz dos outros era vazia. 

Às vezes, acordava no meio da noite, jurando sentir de novo o sopro quente no pescoço, a promessa. Sorria com desespero. Porque sabia: o demônio não tinha levado apenas o prazer — tinha roubado o sossego da sua alma. 

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